quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A normose informacional – Pierre Weil


Embora reconhecendo a grande contribuição que a informática está dando para a humanidade, o autor atrai a atenção do público sobre aspectos patogénicos e letais de certas aplicações junto de diversas tecnologias. 


Algumas considerações sobre aspectos patológicos da nova cultura informacional.


Pierre: Neste início de terceiro milénio, estamos sem dúvida entrando em uma nova fase cultural, a qual está caracterizando uma nova cultura.

Leigo: Que cultura?

Pierre: A cultura informática. O sucesso da informática assume um carácter global no sentido de beneficiar bilhões de cidadãos deste mundo.

Leigo: Mas então porquê falar de aspectos patogénicos da internet?

Pierre: Porque embora, o entusiasmo reinante seja bastante generalizado, certos aspectos destrutivos estão aparecendo, encobertos por essa euforia colectiva.

Leigo: Gostarias de me falar desses aspectos que dizes ser destrutivos?

Pierre: Sim. Mas, antes, gostaria de deixar bem claro que esta explanação tem apenas o carácter de uma nota prévia; é a expressão de algumas reflexões mais ou menos profundas que, para o domínio da ciência podem constituir um manancial de hipóteses a serem conformadas pelas metodologias convenientes.

Leigo: Começado, então, podes dizer-me o que é a normose.

Pierre: Bem, o termo normose, foi forjado por Jean Yves Leloup na França e por Roberto Crema, no Brasil. Ela é o resultado de um conjunto de crenças, opiniões, atitudes e comportamentos considerados normais mas que apresentam consequências patológicas e/ou letais.
Leigo: Podes exemplificar?

Pierre: Claro! Por exemplo, o uso de alimentos com açúcar, o uso de insecticidas, o consumo de drogas como cigarro ou álcool, e o consumismo associado à destruição do planeta.

Leigo: Então acreditas que a cultura informática seja normótica?

Pierre: Sim, acredito.

Leigo: E como pensas prová-lo?

Pierre: Primeiro, preciso demonstrar que há consenso quanto a normalidade do uso da informática na cultura e que há consequências patológicas e/ou letais desse uso.
Quanto ao consenso em torno da normalidade do uso da informática, trabalhos recentes sobre a existência da informação como fenómeno cultural, parecem poder prova-lo.Por exemplo, só o uso da internet acusa uma curva assimptótica de crescimento, atingindo uma dezena de milhões de internautas.

Referência: WEILL, Pierre. A normose informacional. (2000). Brasília.

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